O Comercial Futebol Clube é um clube de
futebol brasileiro, da cidade de Ribeirão Preto, interior
do Estado de São Paulo. É conhecido como Leão
do Norte por causa de uma famosa excursão ao nordeste brasileiro,
na década de 20, em que venceu todos os jogos. Atualmente
está na Série A1 do Campeonato Paulista e disputa
com o seu rival o clássico Come-Fogo.
Famílias assistem a jogo na década de 20
Foto: Arquivo Histórico Municipal
Em 1911, nasce o Commercial, um grupo de comerciantes se reuniu com a finalidade de formar seu time de futebol em Ribeirão Preto. Foi na casa Valeriano, uma loja de armarinhos, localizada onde hoje está instalada a fonte luminosa. No dia 11 de outubro, pouco depois das 21 horas nascia o Commercial Football Club, embora a data oficial seja no dia anterior: 10 de outubro de 1911. O nome atual é Comercial Futebol Clube.
Seus fundadores foram: Antonio Maniero, Guilherme Nunes, Francisco
Arantes, Adauto de Almeida, Timóteo Grota, Alvino Grota,
Argemiro de Oliveira, Djalma Machado e Antídio de Almeida,
que foi eleito o primeiro presidente do clube.
Após a fundação o clube começou a
crescer e passou a jogar campeonatos amadores e a realizar amistosos.
Foi logo adotado pelos coronéis do café.
Com o investimento dos coronéis do café, logo o clube ganhou ascensão chegando ao vice-campeonato do Campeonato Paulista do Interior, torneio realizado pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA).

No início dos anos vinte mais precisamente em abril de 1920, o Comercial é convidado a uma excursão ao Norte e ao Nordeste onde realizaria amistosos com os times dessa região do país. Foram oito jogos e o saldo foi sete vitórias e um empate. O empate se deu frente a seleção Pernambucana e as vitórias sobre o Santa Cruz, Náutico, Seleção de Recife e Seleção de Salvador. A vitória mais festejada foi sobre o Santa Cruz, que contava com a ajuda do arbitro que foi a campo com um revolver para favorecer na marra, o time local. Mas não adiantou e o Comercial abriu o placar com um gol incontestável de fora da área, e o placar assim se seguiu até que no minuto final o parcial juiz deu um pênalti inexistente contra o bafo mas para desgosto da torcida e do arbitro o goleiro comercialino defendeu a cobrança e selando a vitória comercialina. E na volta a Ribeirão a torcida fez muita festa pelas vitórias no norte e nordeste e foi a partir daí que surgiu o conhecido apelido de leão do norte.
Vista lateral do alambrado
Foto: Arquivo Histórico Municipal
O primeiro estádio do clube estava localizado na Rua Tibiriçá, onde hoje fica a sede centro da Recreativa. Foi um dos primeiros campos gramados do estado de São Paulo, pois os freqüentadores eram ricos e reclamavam da poeira levantada durante os jogos no campo de terra batida.
O gramado, um dos primeiros do país
Foto: Arquivo Histórico Municipal
O Commercial o utilizou até 1936. De sua reativação na década de 50 até a inauguração do estádio Francisco de Palma Travassos, o clube mandou seus jogos no Estádio Costa Coelho (hoje Esporte Clube Mogiana), no bairro da Vila Virgínia.
Em 1927 e 1928, se tornou a primeira equipe da cidade a disputar o Campeonato Paulista da 1ª divisão. Em 1928 enfrentou, em Montevidéu, o time do Peñarol Universitário (atual Peñarol) e venceu por 2 a 0 com gols de Vespu e Chapa.

Com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, os fazendeiros entraram em declínio e os investimentos no Commercial baixou. Em 1935, o clube paralisou o Departamento Profissional. O Leão saiu de campo. A diretoria havia comprado os irmãos Bertoni, uruguaios, que ganhavam altos salários para a época. Os outros jogadores se insurgiram. Queriam ganhar o mesmo. As finanças foram se deteriorando. A situação agravou-se quando os sócios de maiores posses, aqueles que achavam que o futebol deveria ser praticado por amor à camisa, se afastaram. Tendo em vista que o futebol poderia levar o clube à ruína, e não sobraria mais nada de um patrimônio valioso, comercialinos como Camilo de Mattos e Antônio Uchôa Filho resolveram intervir. Convocaram uma assembléia e o Comercial foi anexado à Sociedade Recreativa que absorveu a dívida de 40 contos. Isso em 1937.
Foram quase 20 anos de paralisação. Porém, a tradição foi recuperada. Em 1954, um grupo de antigos e fiéis comercialinos se reuniu para estudar o ressurgimento do Leão. Entre eles, destaca-se a presença de cidadãos como Domingos João Batista Spinelli, Oscar Moura Lacerda, José Monteiro, Áureo Alves Ferreira, Geraldo Leite de Castro, Pedro Paneli, José Grota, Belmácio Godinho, Jamil Jorge, Agenor Saheb, Antídio de Almeida, Lourenço Gueringueli, Álvaro de Oliveira, Monteiro de Barros, Prisco da Cruz, Arlindo Vallada, Jaime de Oliveira Vallada, Romero Barbosa, Baudilio Biagi, Plínio de Castro Prado e Francisco de Palma Travassos, doador do terreno onde foi construído o estádio que leva seu nome. Do esforço desses homens, no dia 8 de abril daquele ano, o COMERCIAL FUTEBOL CLUBE era novamente organizado, e em 7 de outubro, numa fusão com o Paineiras Futebol Clube, já filiado a Federação Paulista de Futebol, o Leão estava pronto para disputar o campeonato da segunda divisão de profissionais daquele ano.
Logo no primeiro ano que voltou a jogar profissionalmente, o Comercial poderia ter conquistado uma vaga na primeira divisão. Com uma campanha invejável, chegou ás finais contra o time do Taubaté. O placar foi zero a zero, mas o árbitro Luís Batista Laurito anulou um gol legítimo de Ademar, confirmado pelo bandeira, e também não deu um pênalti para o Leão. O Taubaté subiu. O Comercial ficou com o vice-campeonato e conhecido como "Campeão sem Coroa". O título veio em 1958, contra o Corinthians de Presidente Prudente. Foram três partidas, nas quais o Comercial perdeu a primeira por um a zero, ganhou a segunda pelo mesmo placar, e lavou a alma da torcida no jogo decisivo. O Leão goleou por quatro a zero, no Pacaembu. Carlos César com dois gols, Ademar e Lécio foram os artilheiros daquele 21 de abril de 1958. O Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto era o novo caçula da Divisão Especial. Uma eufórica torcida promoveu um grande carnaval na cidade para comemorar a conquista. A equipe jogou com Santão, Toninho, Valdemar, Parracho e Candão, Valtinho, Lécio, Ademar, Otávio, Almeida e Carlos César.Melhor fase (anos 60).
O início do anos 60 foi uma época em que o Comercial tinha grandes craques, como o próprio Carlos César, e os potentes chutes de esquerda, que lhe valeram o apelido de "esquerdinha de ouro". Havia também o zagueiro Peter, um jogador de físico privilegiado, que se consagrou como o melhor marcador de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, reconhecido pelo próprio Rei do futebol. E foi nessa época que o Comercial viveu um dos melhores momentos de sua história. Com um verdadeiro esquadrão, o bafo era imbatível dentro de sua casa e conseguia grandes resultados fora dela. Em 1962, o clube foi vice-campeão da Taça São Paulo, perdendo apenas a final para o Santos de Pelé. Em 14 de outubro de 1964, inaugurou seu atual estádio, o Palma Travassos, na derrota de 3 a 2 para o Santos. Paulo Bin, atacante do Comercial marcou o primeiro gol.
Em 65, venceu a Copa Ribeirão Preto jogando contra Corinthians, Fluminense e Botafogo carioca.
Piter - O Rocha Negra
Foto: Internet
No tempo em que Pelé, pelo Santos, e Garrincha, pelo Botafogo carioca, infernizavam qualquer zaga adversária, o Comercial tinha mais do que uma rocha, tinha uma verdadeira Muralha Negra. Piter era a garantia de que dificilmente os atacantes chegariam até o gol alvinegro. Foi assim durante os 13 anos em que defendeu as cores do Comercial, durante a década de 60 e início dos anos 70.
Foi em 66 que o Leão viveu seu melhor ano. » Acabou com uma invencibilidade de 14 jogos do Palmeiras dentro do Palestra Itália. » Conseguiu a proeza de marcar cinco gols no Santos de Pelé dentro da Vila, num jogo que muitos consideram um dos mais espetaculares de todos os tempos.
» Venceu novamente o Palmeiras por três a zero em Ribeirão, no dia 4 de fevereiro, na inauguração dos refletores do Palma Travassos (primeiro jogo noturno oficial na cidade Ribeirão Preto). » Humilhou o Bragantino, de Bragança Pta., jogando em casa, por 8 a 1. » Foi campeão do primeiro turno do paulistão.
» Campeão do interior.
» Terminou a competição com o terceiro lugar, perdendo somente para o Palmeiras e o Corinthians da capital.
» Massacrou seu maior rival por 5 a 0.
» Recebeu, nesse ano, o apelido de "Rolo Compressor".
Foi realmente um grande ano para o clube.
Na década seguinte o clube, muitas vezes, quando não tinha um grande elenco, os jogadores do Comercial se valiam da garra para buscar grandes resultados. Foi assim que em 1974 quebrou um tabu de sete anos e nove meses ao vencer o Botafogo pela primeira vez no estádio Santa Cruz. O placar foi de dois a um para o Comercial, gols de Davi e Jader. Sócrates marcou para o Botafogo. O time ainda realizou outras façanhas naquela década. Em 74, o Leão cruzou mais uma vez o caminho do Palmeiras. Venceu por dois a zero em pleno Parque Antártica, e o Verdão não se classificou para a disputa do primeiro turno do Campeonato Paulista daquele ano. Luisão marcou os dois gols. No segundo turno, o Palmeiras deu a volta por cima e conquistou o campeonato daquele ano. O Comercial ficou em sétimo lugar. Em 1978 e 1979 disputou o Campeonato Brasileiro, em 1979, inclusive, ficou em 14º entre 94 clubes.
No início da década de 80, o Comercial conseguiu grandes resultados como golear o Corinthians em Palma Travassos por 4 a 0, o Santos na vila: 3 a 1, o São Paulo no Morumbi por 5x4. Em 1980 foi campeão do primeiro turno do Campeonato Brasileiro da Taça de Prata, a segunda divisão do nacional na época. Em 1981 foi campeão do "grupo vermelho", um dos grupos do Campeonato Paulista de 1981, após bater o Marília por 2 a 0. Em 1983, quebrou um tabu de oito anos, ao derrotar em São José do Rio Preto, o América, por 2 a 0 e goleou o São Paulo por 4 a 1, em Palma Travassos.
Em 1986, para desespero dos comercialinos, o time caiu para a Divisão Intermediária do Campeonato Paulista. Tudo aconteceu depois de uma partida entre América e XV de Jaú, que ficou conhecida como o "jogo da marmelada", onde as duas equipes dependiam de um simples empate para permanecerem no grupo de elite do futebol de São Paulo. Mas não houve futebol em campo, mas uma marmelada para derrubar o Leão. O time ganhou a disputa nos tribunais, porém o presidente do Comercial na época achou melhor não polemizar mais e acatou as ordens da federação paulista e foi para divisão intermediária. O clube já havia passado pela mesma situação em 1967. Num confronto com a Portuguesa de Desportos, no Palma Travassos, aconteceram alguns incidentes. O Leão teve um gol anulado e alguns torcedores invadiram o gramado. A partida foi anulada. No jogo seguinte, o Comercial perdeu por um a zero, mas depois de uma longa briga nos tribunais, ganhou no Conselho Nacional de Desportos (CND) o direito de continuar na Primeira Divisão. A Portuguesa havia entrado em campo com um jogador que não estava inscrito.
Com a queda de 1986, o time mergulhou numa profunda crise financeira. Além de alguns equívocos administrativos, jogando numa divisão inferior, as rendas eram pequenas e não davam para manter um elenco capaz de levar o Comercial de volta a Divisão Especial. Foram sete anos de sofrimento para a apaixonada torcida. O Comercial montou um time competitivo em 1993, numa demonstração de que o futuro ainda reservava emoções para o torcedor do Leão. Neste mesmo ano, ficou em segundo lugar na Divisão Intermediária do Campeonato Paulista. Devido a mudanças na estrutura do campeonato, o Comercial disputou a Série A2, onde permanece até os dias de hoje.
Em, 25 de janeiro de 2006, foi vice-campeão da Copa São Paulo de Juniores ao empatar em 0 a 0 no tempo normal de jogo e perder nos penaltis para o América de São José de Rio Preto. A partida foi realizada no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Daniel Perassolli comercialfc.freetzi.com
Rafael Gonçalves - Rafael Gonçalves


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